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Luciana Cabrini

O que é a gestão de RTI e por que ela é estratégica?

A gestão de RTI (Returnable Transport Items) refere-se ao controle sistemático do ciclo de vida de ativos logísticos reutilizáveis, como paletes, racks, bins e caixas plásticas. No cenário industrial brasileiro, onde a eficiência logística é um diferencial competitivo, gerenciar esses itens vai muito além de apenas contar unidades em estoque. Trata-se de garantir que cada embalagem retornável cumpra seu ciclo de transporte e retorne à origem de forma rápida e íntegra.

A gestão de RTI (embalagens retornáveis) consiste no monitoramento automatizado de ativos logísticos reutilizáveis por meio de tecnologias como RFID e IoT. O objetivo é assegurar visibilidade total sobre o paradeiro das embalagens, reduzir taxas de extravio e otimizar o fluxo de caixa através da economia circular.

A falta de visibilidade sobre esses ativos gera um “custo oculto” massivo para indústrias e operadores logísticos. Sem um controle rigoroso, muitas empresas acabam comprando novos lotes de embalagens desnecessariamente para suprir perdas que poderiam ter sido evitadas. Implementar uma gestão inteligente permite que a operação saiba exatamente onde o ativo está, com quem ele se encontra e qual o seu estado de conservação atual.

Os principais gargalos no controle de embalagens retornáveis no Brasil

Muitas indústrias no Brasil enfrentam perdas de até 20% de suas embalagens retornáveis ao ano devido à falta de identificação automatizada. O erro humano é o principal fator de discrepância nos inventários, especialmente quando o registro de entrada e saída é feito de forma manual ou por planilhas. Essa falha de processo gera uma desconexão entre o que o sistema indica e o que realmente existe fisicamente nas docas.

Além disso, a rotatividade de RTIs entre fornecedores, transportadores e clientes finais cria pontos cegos na cadeia de suprimentos. Quando uma embalagem sai da planta, a empresa muitas vezes perde o controle sobre sua localização, resultando em retenções indevidas em pátios de terceiros. Esse cenário compromete o planejamento de produção e obriga a logística a trabalhar com estoques de segurança excessivamente altos e caros.

Outro desafio relevante no território nacional envolve a conformidade fiscal e contábil. A gestão inadequada de ativos dificulta a auditoria de bens e o atendimento às normas do SPED e do CPC 27, que tratam do imobilizado. A incapacidade de comprovar a movimentação física desses itens pode gerar inconsistências em balanços financeiros e problemas com o fisco durante fiscalizações de rotina.

Tecnologias fundamentais: RFID e BLE na automação de RTIs

A transição da gestão passiva para a gestão ativa de ativos depende da tecnologia de identificação correta. O RFID (Identificação por Radiofrequência) é o padrão ouro para automação de portais e docas, permitindo a leitura de centenas de embalagens simultaneamente. Com etiquetas robustas fixadas nos RTIs, o sistema registra automaticamente a movimentação sem a necessidade de linha de visão direta, acelerando o fluxo de expedição.

O papel do BLE na visibilidade de pátio

Enquanto o RFID é ideal para pontos de controle, o BLE (Bluetooth Low Energy) oferece uma camada adicional de inteligência para monitoramento em tempo real. Tags BLE podem transmitir sinais continuamente, permitindo a localização exata de racks ou paletes dentro de grandes armazéns ou pátios logísticos. Essa tecnologia é particularmente útil para ativos de alto valor unitário que exigem monitoramento constante de status e localização.

Integração com sistemas IoT e Cloud

A combinação desses sensores com plataformas de IoT (Internet das Coisas) permite que os dados capturados sejam processados na nuvem instantaneamente. Isso possibilita que gestores de logística visualizem dashboards detalhados sobre a taxa de giro de cada embalagem. Com essas informações em mãos, é possível identificar gargalos históricos e otimizar a rota de retorno dos ativos, reduzindo o tempo de ociosidade das embalagens retornáveis.

Benefícios da visibilidade para o compliance e ESG

A implementação de um controle rígido de embalagens retornáveis está diretamente ligada às metas de ESG (Environmental, Social, and Governance) das organizações modernas. Ao prolongar a vida útil dos RTIs e evitar perdas, as empresas reduzem a geração de resíduos e a necessidade de produção de novos plásticos ou metais. Essa abordagem fortalece a economia circular, um pilar essencial para a sustentabilidade industrial no Brasil e no mundo.

Financeiramente, a rastreabilidade garante que o imobilizado da empresa seja gerido com precisão cirúrgica. Ter dados confiáveis sobre a frota de embalagens facilita a conformidade com normas de auditoria e garante que o ativo esteja devidamente registrado. Isso evita perdas contábeis por obsolescência ou desaparecimento de bens que, embora pareçam pequenos individualmente, representam milhões de reais em escala industrial.

A eficiência no controle de RTIs também melhora o relacionamento com parceiros comerciais e transportadoras. Com a automação, a responsabilidade sobre o ativo é transferida de forma digital e incontestável em cada ponto de troca. Isso reduz disputas sobre extravios e garante que cada elo da cadeia zele pela integridade das embalagens sob sua custódia temporária.

Melhores práticas para implementar o controle automatizado

Para obter sucesso na gestão de RTI, o primeiro passo é a padronização da identificação de todos os itens da frota. O uso de tags resistentes a impactos, produtos químicos e variações de temperatura é essencial para garantir a durabilidade da solução em ambientes industriais agressivos. Sem uma tag de alta performance, a confiabilidade dos dados capturados fica comprometida ao longo dos meses de uso intenso.

  • Mapeamento de Pontos de Leitura: Instale portais RFID em todas as docas de entrada e saída para garantir que nenhum ativo saia sem registro.
  • Treinamento de Operação: Instrua a equipe sobre a importância da integridade das etiquetas e o uso correto dos coletores de dados portáteis.
  • Análise de Ciclo de Vida: Utilize o software de gestão para monitorar quantas vezes cada embalagem circulou e programar manutenções preventivas.
  • Auditoria de Campo: Realize inventários cíclicos automatizados para validar a precisão do saldo sistêmico com a realidade física.

Por fim, a integração do sistema de gestão de ativos com o ERP da empresa é fundamental para a fluidez da informação. Quando os dados de movimentação de embalagens conversam diretamente com os módulos de faturamento e produção, a operação ganha agilidade. Esse ecossistema conectado permite que a empresa responda rapidamente a flutuações de demanda, mantendo sempre o nível ideal de RTIs disponíveis para a operação.

Conclusão:


Luciana Cabrini

Luciana Cabrini

Autora

Luciana Cabrini atua na construção de soluções que conectam identificação, rastreabilidade, automação e inteligência de dados para empresas que desejam transformar operações físicas em dados confiáveis para tomada de decisão.

Especialista em Tecnologia de Identificação e Rastreabilidade

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